CASAMENTO CIVIL E CERIMÓNIA SIMBÓLICA

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   O casamento civil é um ato oficial e solene; como tal, muitas pessoas acham que seja um pouco frio e burocrático. Por esse motivo, muitos noivos resolvem casar pelo civil, num Consulado ou Conservatória, de forma muito simples, por vezes estando só os dois, organizando posteriormente uma linda cerimónia, numa quinta, num hotel ou num lindo jardim.

   A cerimónia será apenas simbólica, dado que, como sabem, no nosso País não tem valor legal, mas dará a possibilidade aos noivos não apenas de juntar a família e os amigos na celebração do próprio amor, mas também de realizarem um sonho, terem um casamento único e especial. De facto, a cerimónia simbólica, completamente livre e personalizada, é pensada e realizada com todos aqueles momentos românticos, emocionantes e espetaculares que os noivos mais desejam para aquele dia tão importante. Para realizarem este projeto, por vezes o casal pede a ajuda de um amigo ou familiar, mas são cada vez mais os que optam pelos serviços de um celebrante profissional. E isso faz toda a diferença.

   Muitos noivos perguntam se para simplificar as coisas, faz sentido e é viável organizar no mesmo dia e na mesma location o casamento civil e a seguir a cerimónia (ou vice-versa).

   Em teoria faz sentido, mas sobre a viabilidade desta ideia tenho muitas dúvidas.

   Excluiria, de facto, o casamento civil antes da cerimónia. A cerimónia é um momento importante, os noivos devem colaborar muito ativamente para o seu sucesso, a expetativa dos convidados é enorme (muitos deles nunca assistiram a uma cerimónia deste tipo…), portanto, é fundamental que os noivos entrem no cenário da cerimónia descansados, cheios de motivação e de vontade de desfrutar aquele especialíssimo momento de festa com os seus convidados.cave-do-porto-giardino1-e1426113043903

   Celebrar o casamento civil antes da cerimónia, quebraria decerto todas estas emoções. Não esqueçam que um dos momentos mais importantes da cerimónia é a alegria da saída dos noivos e a abertura da festa, momento esse que perderia todo o sentido se os noivos tentassem refazê-la após a realização do casamento.

   Mas também casar civilmente após a cerimónia parece-me pouco viável. Já assisti a esta situação e reparei no stress dos noivos e dos convidados. Imaginem, a cerimónia terminada, os primeiros festejos já iniciados, os aperitivos a serem servidos e, de repente, chegar o Conservador do Registo Civil e todos voltarem ao mesmo cenário para a realização do casamento civil. Os noivos estão cansados e um pouco desconcentrados; no verão, debaixo do sol abrasador, o calor começa a ficar insuportável, situação que não convence ninguém a voltar a sentar-se no mesmo lugar; os convidados depois de terem assistido a uma cerimónia, estão muito pouco ou nada interessados e, portanto, muitas vezes, evitam participar.

   Por vezes, alguns Conservadores não gostam de falar ao microfone, tornando difícil ouvir e seguir a celebração, principalmente pelos convidados que se encontram nas últimas filas, por isso mesmo os convidados mais corajosos ficam frustrados, acabando por o casamento ser seguido apenas pelos noivos e as pessoas sentadas nas primeiras filas.

   Enfim, pode ser uma experiência muito cansativa para os noivos, familiares e amigos. Sempre que possível, desaconselho…

Há quem pense (raramente, felizmente), que é possível misturar as duas coisas, o casamento civil e a cerimónia, pedindo-me para terminar o casamento civil fazendo uma mini cerimónia. Recuso sem hesitar, porque, para mim, não só não faz sentido, como cria também alguma confusão. O Conservador é um alto funcionário público e uma pessoa de prestígio, que com certeza não irá concordar ou gostar que alguém comece a discursar após ele ter acabado de celebrar o casamento civil, desvalorizando o seu serviço. Digamos que é uma situação constrangedora. O celebrante, também, não se sentirá realizado, celebrando apenas uma cerimónia parcial, com certeza não tão bonita como seria desejável,

   O mesmo acontece naquelas situações em que os noivos pedem ao celebrante para realizar uma mini cerimónia após um mini rito religioso de bênção das alianças e do casal, celebrado por um padre. Tudo mini, diria, também as hipóteses de sucesso. Além das considerações já apresentadas, há outro fator determinante que exclui a viabilidade desta ideia. É absolutamente normal que a cerimónia inicie com algum atraso, por vezes de uma certa relevância. Contrariamente ao celebrante, o padre não pode esperar, porque provavelmente naquele mesmo dia, deverá também celebrar missas em outras paróquias. Por isso, a hora marcada com o padre é para cumprir obrigatoriamente. Já vi padres “a fugir” literalmente da quinta, não conseguindo celebrar todos os ritos concordados, deixando os noivos em pânico, e obrigando o celebrante a reinventar e improvisar a cerimónia para todos saírem do impasse.

About Mariano Salvatore Sarno

Vivo em Portugal desde 1993. É uma terra que amo, que me deu muito, e que continua a dar-me muito. Ano após ano, exploro as incríveis belezas deste País, nas minhas muitas viagens pelos recantos mais remotos, organizando casamentos e cerimónias, e ajudando os noivos a realizarem os seus sonhos.
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