ELOPEMENT WEDDING

Quero a lua…

O elopement wedding está na moda? Está, com certeza.

Independentemente das razões pessoais, sociais ou económicas que podem levar duas pessoas a casar de uma maneira tão pouco tradicional, esta cerimónia é sempre muito bonita, e proporciona imensas emoções. Enfim, é garantidamente um sucesso.

Porque muitos casais escolhem a fórmula do elopement wedding, uma cerimónia simples e às vezes quase improvisada, sem convidados, sem família nem amigos? Pela minha experiência, as vivências do passado podem ter uma grande influência neste tipo de decisão; embora seja extremamente raro que o casal queira entrar nos detalhes mais pessoais ao contar a sua história, consigo perceber que entre eles existe uma ligação muito profunda e especial, a sensação de algo misterioso mas poderoso, uma energia muito forte. Um relacionamento contrastado pelas famílias? O desejo de fugir das obrigações e das convenções familiares? Uma maneira muito intimista de viver um amor sem limites? A vontade de viver algo absolutamente inesquecível, num lugar mágico, completamente sozinhos e afastados do mundo, apenas eles e aquele imenso amor? 

   Ao escrever o texto da cerimónia, tento imaginar, supor, descobrir, mas acredito que não seja muito fácil entrar naquele mundo. Poderão também apontar razões económicas. É possível, mas acho que este fator se posiciona provavelmente no fim da classificação. Todos conhecemos os incríveis sacrifícios que a maioria dos casais está disposto a fazer para realizar a cerimónia dos seus sonhos, na quinta mais linda, com dezenas ou centenas de convidados…

   E se elopement wedding deve ser, porque sujeitar-se a um rito civil frio e burocrático? A  cerimónia simbólica, com um celebrante especializado, é seguramente a melhor opção, a única que realmente permite ao casal tornar o seu sonho realidade. 

   A realização da cerimónia pode ser a mais variada: há casais que solicitam os serviços de uma wedding planner, para criar o cenário desejado e garantir os melhores serviços. Alguns preferem a mais total independência. Mas há muitos casais que gostam que a cerimónia seja realizada em locations bem mais originais e …improvisadas : num bosque, debaixo de uma árvore secular; nas rochas ou na areia de uma praia afastada e selvagem; num barco em navegação; até no parque público da cidade, ou na área envolvente de um monumento ou edifício histórico, para eles repleto de significado.

   Um elopement wedding que foi para mim inesquecível, foi no adro de uma capela, no alto de uma montanha, bem no centro de Portugal, perto de uma aldeia histórica, praticamente deserta, habitada apenas por raras pessoas muito idosas. Não foi fácil chegar lá, até o GPS entrou em tilt e mandou-me passar por caminhos absurdos no meio do mato.

   Os noivos, duas pessoas cheias de vida e alegria, vinham de Austrália, ele descendente de portugueses, ela de nepaleses. Escolheram aquela capela porque nela casaram os avós do noivo, antes de emigrar para a terra dos cangurus. Ao lado de um antigo espigueiro, os noivos tinham colocado uma velha mesa muito rústica, provavelmente arranjada no local, toda coberta de flores do campo. O som saia de um telemóvel com uma mini coluna Bluetooth. A cerimónia foi muito emocionante, aquele lugar transbordava de significado e simbolismo. Enquanto contava a história dos noivos, sentia aquele imenso silêncio à minha volta, e o meu olhar percorria aquela alegre desolação; imaginava as antigas ruelas, agora desertas, cheias do movimento: os camponeses a voltar dos campos, os carros e os bois, as mulheres a conversar na rua, as crianças a correr. Durante a cerimónia um senhor idoso veio a sentar-se em silêncio em frente a capela.

   Terminada a cerimónia, os noivos beijaram-se naquele silêncio mágico e absoluto e, na aldeia semi-abandonada, o céu não podia ser mais azul. Achei engraçado o facto dos dois jovens terem chegado à aldeia conduzindo um enorme e luxuoso Mercedes descapotável, aparatosamente decorado, carro esse que parecia absolutamente gigantesco, estacionado naquela ruela tão estreita, no meio daquelas antigas paredes todas tortas. Não foi simples para eles sairem da aldeia naquele transatlântico. O ruído violento do motor rompeu o silêncio absoluto, e os noivos, buzinando com muita alegria, despediram-se daquele mundo perdido.

   O senhor sentado em frente a capela, que observava silenciosamente a cena, suspirou profundamente, levantou-se e, apoiando-se na sua bengala, vagarosamente começou a descer a ladeira.

About Mariano Salvatore Sarno

Vivo em Portugal desde 1993. É uma terra que amo, que me deu muito, e que continua a dar-me muito. Ano após ano, exploro as incríveis belezas deste País, nas minhas muitas viagens pelos recantos mais remotos, organizando casamentos e cerimónias, e ajudando os noivos a realizarem os seus sonhos.
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